Não Feliz, Mas Santo

Por Milena Carbonari Krachevski.

“O casamento não serve para te fazer feliz, mas para te fazer santo”.

Acabei de ouvir essa frase de Jackie François em um vídeo que ela deixou no Youtube falando sobre a beleza de viver bem a “solteirice” – ou o tempo de espera, se preferir. E isso me remeteu imediatamente a um lindo evento que ocorreu recentemente no nosso Grupo de Jovens (os Jovens Sarados): Pedro pediu Juliana em casamento!

Foi realmente um acontecimento, um grande evento para todos nós. Imagine a cena: na segunda-feira, o Pedro montou um grupo no WhatsApp com vários amigos pedindo para que enviássemos mensagens de amor para a Juliana sem explicar muito sobre o que se tratava. Caso ela perguntasse, deveríamos dizer que se tratava da “Semana do Amor”.

Depois de três dias recebendo essas mensagens, numa bela noite de quarta-feira Pedro leva Juliana para uma praça no centro de São Paulo, onde deixou todas as mensagens de amor que mandamos para ela penduradas em uma árvore. Enquanto lia as mensagens, a cena começa a se compor com mais alguns amigos: uma que canta “Can You Feel The Love Tonight” enquanto há um violão e um saxofone na mesma melodia. Cenário per-fei-to!

Juliana recebe um buquê de flores enquanto Pedro declara seu amor por ela e o seu desejo de, eternamente, unir-se à sua amada. Ele ajoelha-se. Segura uma caixinha com a aliança que escolhera para selar esse momento e pergunta: “Juliana, você quer casar comigo?”. Ah, que emoção! Mesmo depois de ter contado essa história para muitas pessoas, ainda me emociono!

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Por detrás dessa maravilhosa história de amor, o que talvez você não saiba é que Juliana e Pedro foram amigos por 2 anos e 6 meses antes de iniciarem o namoro; namoraram por 3 anos antes do noivado e casarão em 2016… tudo isso vivendo em castidade.

Não sem lutas, não sem dor e tentações, esse casal grita aos quatro cantos do mundo, sem dizer uma única palavra, como é belo viver dentro dos planos de Deus. Com olhares, sorrisos e gestos largos de jovens em plena energia, esse casal testemunha uma vida íntegra e cheia de belezas… eles têm um olhar diferente, um brilho próprio, sabe? Transmitem uma liberdade que não é deste mundo. Sim, eles são livres. E muito! Porque souberam primeiro possuírem-se a si mesmos para chegarem inteiros ao dia de se doarem totalmente.

A castidade não limita nossas potencialidades, ela não apaga os anseios do nosso corpo. Pelo contrário: ensina o casto a conhecer-se verdadeiramente, possuir-me em profundidade para poder dar-se sem receio ou restrição ao outro e aos outros. Quando temos um casal, um jovem, um idoso casto dentro de uma comunidade, todos são beneficiados com o dom de um amor livre e inteiro.

E nesse ponto, tocamos no profundo significado da nossa existência: o amor! Nosso corpo fala disso, a forma como Deus nos fez diz em claro e bom som: você nasceu para o outro. A castidade é essa flor no deserto que explica sem palavras que o nosso ser foi feito para o amor ordenado, livre, inteiro.

Quando não vivo essa castidade estou negando o significado do meu corpo e da minha própria existência. Passo a viver em função das minhas vontades satisfeitas, sou vitima dos meus impulsos e já não respondo mais por mim… isso cansa! Não ter autodomínio cansa e tira o brilho de tudo o que faço. Vai minando os meus afazeres do cotidiano, vai tirando a cor dos meus sonhos, diminui a essência do verdadeiro significado da minha vida.

Se tudo deve existir para me gerar prazer – a comida, o descanso, o sexo – passo a ver tudo como utilitário; inclusive o outro. Quem eu deveria amar e servir, passa a ser material para a minha satisfação e conforto. Percebe a distorção?

Os casais perderam a ordem das coisas. Colocaram a autossatisfação antes da autodoação e se perderam em discussões infundadas na busca pelo prazer. Aprenderam a esperar no outro a satisfação de tudo o que desejam, ficando cegos para o óbvio, o evidente que está inscritos em seus corpos.

Na castidade há ordem: eu preciso me conhecer para me possuir e, um dia, poder entregar-me livremente, inteiramente, sem receio ou restrição e, assim, compreender o significado da verdadeira felicidade.

Juliana e Pedro foram educados nessa escola que esconde espinhos, aridez e cruz. Mas um dia, se Deus quiser, testemunharemos a união desse casal que aprendeu a amar. E a beleza de viver a verdade é que os frutos das sementes plantadas são colhidos por muitos. A castidade deles alcança a família e os amigos que os cercam, alcançam toda a comunidade e assim, toda a sociedade.

Junto hoje a minha voz com as de Juliana e Pedro que disseram repetidas vezes: viver em Deus vale a pena!

 

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