Moda e Modéstia

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Por Milena C. Krachevski e Sabrina Balista

 

O que me vem à mente quando escolho uma roupa para vestir? Antes: o que está nos meus pensamentos quando estou numa loja vendo os manequins, as gôndolas de vestuários, aqueles cabides todos com uma imensa variedade de modelos, cores e tamanhos?

Além do cruel “será que vai caber?”, geralmente pensamos nas impressões que vamos causar vestindo aquele modelo; vamos ao espelho e buscamos olhar o que os outros verão quando estivermos com aquela roupa.

E agora, a provocação: a roupa mostra mais do que esconde? E se esconde, o que deveria esconder? Por quê?

Essa reflexão é para nós, mulherada! Para responder essas perguntas, precisamos olhar para dentro e levar esses questionamentos à luz da nossa afetividade. Afinal, quantas vezes não recorremos ao apelo de expor algumas partes do nosso exterior pela falta de olhares de outros em direção ao nosso interior? Os lugares internos inabitados podem nos lançar na busca dos que irão apreciar curvas e pele que não estão preparadas para receber os olhos igualmente despreparados.

A questão aqui é mais profunda, percebe? Preciso saber se a beleza de dentro supera a de fora e se, com minhas atitudes, sou capaz de convidar outros a transitar o jardim que sou eu; devo saber treinar os olhares e a sede de beleza que todos temos.

Sabe a frase “o essencial é invisível aos olhos”? O que vestimos fala disso! E é tão lindo descobrir essa via de dentro! Se, no entanto, faço o apelo para que os olhos se voltem apenas para o exterior, então entendo que o mais importante é, na verdade, o mais pobre.

Não que o corpo não seja imensamente valoroso, cheio de riquezas e belezas insondáveis. Não! Não é isso! Pelo contrário: é tão precioso que não pode ser banalmente exposto. Assim como guardam grandes tesouros em cofres seguros, assim como as maiores obras de arte estão protegidas nos grandes museus, devo também considerar a mim. E como os outros têm acesso a quem sou? Através do meu corpo, que é sacrário que guarda a grande preciosidade do meu ser.

Imagine um belíssimo museu todo cercado de ouro, pedras preciosas e com suas portas trancadas. Além de ser presa fácil de bandidos, perde a sua função de fornecer um bem para a humanidade, não dando acesso às obras de arte que guarda. As portas trancadas não revelam o tesouro aos outros e tudo será perdido! Essa analogia leva à seguinte reflexão: meu corpo exposto fecha as portas para o valor de dentro.

Por outro lado, se as portas estiverem abertas para que qualquer um entre e pegue o quanto quiser, o museu, em pouco tempo, se tornará um lugar vazio e sem valor. Só nós temos a chave!

Assim, devo ter consciência que uma postura modesta abre o caminho para o que realmente interessa. Restringindo a quantidade de curvas que irei deixar à mostra com minha vestimenta, abro as portas para que as riquezas da alma se manifestem e guiem pelos caminhos corretos as curiosidades de fora.

 

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2 Replies to “Moda e Modéstia”

  1. Artigo profundo e com valores enraizados, primeiramente em valores humanos, pra ninguém achar que é “moraqlista” e depois, está baseado em verdades eternas. Parabéns a vocês e que Deus abençoe nessa caminhada rumo a verdade.

  2. Incrível…dia desses eu me peguei fazendo questionamento semelhante, não apenas restrito ao universo feminino, mas a nós todos…porque e para quem nos vestimos…? o que temos em mente quando abrimos o armário e escolhemos aquela roupa…? nos vestimos para o trabalho, para uma festa, para um encontro com alguém especial e cada ocasião nos coloca diante dessas questões…a quem queremos impressionar…? que impacto queremos causar…? que olhares e comentários queremos instigar…? belíssima reflexão, à luz da pureza mesmo que devemos imprimir no simples ato de nos vestir…

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