Se ele tem imaginação suja, problema dele

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O jeans de cintura baixa, as camisetinhas que deixam aparecer o umbigo, os “tops” apertados. Com certeza, a gente gostava do sentimento de estar sendo “desejadas” pelos rapazes. Mas depois a gente ficava aborrecida quando eles só estavam interessados em uma coisa. A gente reclamava, mas não queria fazer nada para ajudar a consertar o problema. Afinal de contas, nossas roupas não estavam ajudando os rapazes a melhorar. A gente continuava oferecendo tudo que eles queriam…

As mulheres têm poder. Pela maneira com que nos vestimos, pela maneira com que dançamos, e pela maneira com que nos comportamos, podemos convidar um homem a ser um cavalheiro ou a agir como um animal. Portanto, se uma garota quer que um rapaz a admire pela sua inteligência e pela sua personalidade, não seria melhor que ela não o distraísse com aquele piercing no umbigo?

A questão é: “O que eu realmente quero? O que é mais excitante, ser verdadeiramente amada por um só homem, ou ser “desejada” por muitos? Para quem tem a coragem suficiente de preferir ser amada por um só, a modéstia é um convite silencioso para que os rapazes sejam homens o suficiente para conquistar nossos corações. É um convite aos rapazes, para que vejam que há muito mais em nós que somente nossos corpos. É por isso que a modéstia é chamada a “guardiã do amor”. Sem ter que dizer uma só palavra, ela estabelece o padrão do respeito. Mas nós nunca conseguiremos convencer um homem de nossa dignidade sem antes convencermos a nós mesmas.

A modéstia não diz respeito somente ao exterior, porque a maneira com que nos vestimos é um sinal do nosso interior. É um sinal de que não precisamos ficar nos “atirando” visualmente para os rapazes, na esperança de ganhar sua atenção. Tenha certeza que nós temos o poder de fazer as cabeças se voltarem para nós. Mas também temos o poder de fazer os corações se voltarem para nós. Podemos procurar conduzir esses corações para o paraíso ou para nós mesmas. Mas quando fazemos a atenção deles se voltar para as partes do nosso corpo, estamos convidando-os a nos “amar” pelas coisas erradas.

O que ganha o que coração dele é o que vai mantê-lo por perto. Se ele foi ganho por um corpo, vai ser pelo corpo que ele vai ficar (pelo menos enquanto não enjoar ou perder o respeito).

Precisamos redescobrir o que as mulheres já descobriram há milhares de anos: há uma atração mais profundo pelo que não é visto. Simplificando, pureza é beleza. Ela coroa a beleza natural com o mistério. Mesmo após o casamento, a pureza e a modéstia permanecem com seu poder de cativar o coração de um homem – apenas adquire um novo significado.

Provérbios 5, 17-19 diz: “Sejam eles para ti só, sem que os estranhos neles tomem parte. Seja bendita a tua fonte! Regozija-te com a mulher de tua juventude, corça de amor, serva encantadora. Que sejas sempre embriagado com seus encantos e que seus amores te embriaguem sem cessar!”

Quando a passagem diz que o amor da mulher “embriaga” o marido, a palavra no original em hebraico também pode significar “intoxica”. Deus sabe o poder dos carinhos de uma mulher, e mesmo a visão de seu corpo leva a um mistério maior quando “não é para estranhos”.

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Trecho do livro “Pure Womanhood” (Pura Feminilidade) de Crystalina Evert, San Diego, Ed. Catholic Answers, 2008.
Tradução de Daniel Pinheiro


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Por Milena C. Krachevski e Sabrina Balista

 

O que me vem à mente quando escolho uma roupa para vestir? Antes: o que está nos meus pensamentos quando estou numa loja vendo os manequins, as gôndolas de vestuários, aqueles cabides todos com uma imensa variedade de modelos, cores e tamanhos?

Além do cruel “será que vai caber?”, geralmente pensamos nas impressões que vamos causar vestindo aquele modelo; vamos ao espelho e buscamos olhar o que os outros verão quando estivermos com aquela roupa.

E agora, a provocação: a roupa mostra mais do que esconde? E se esconde, o que deveria esconder? Por quê?

Essa reflexão é para nós, mulherada! Para responder essas perguntas, precisamos olhar para dentro e levar esses questionamentos à luz da nossa afetividade. Afinal, quantas vezes não recorremos ao apelo de expor algumas partes do nosso exterior pela falta de olhares de outros em direção ao nosso interior? Os lugares internos inabitados podem nos lançar na busca dos que irão apreciar curvas e pele que não estão preparadas para receber os olhos igualmente despreparados.

A questão aqui é mais profunda, percebe? Preciso saber se a beleza de dentro supera a de fora e se, com minhas atitudes, sou capaz de convidar outros a transitar o jardim que sou eu; devo saber treinar os olhares e a sede de beleza que todos temos.

Sabe a frase “o essencial é invisível aos olhos”? O que vestimos fala disso! E é tão lindo descobrir essa via de dentro! Se, no entanto, faço o apelo para que os olhos se voltem apenas para o exterior, então entendo que o mais importante é, na verdade, o mais pobre.

Não que o corpo não seja imensamente valoroso, cheio de riquezas e belezas insondáveis. Não! Não é isso! Pelo contrário: é tão precioso que não pode ser banalmente exposto. Assim como guardam grandes tesouros em cofres seguros, assim como as maiores obras de arte estão protegidas nos grandes museus, devo também considerar a mim. E como os outros têm acesso a quem sou? Através do meu corpo, que é sacrário que guarda a grande preciosidade do meu ser.

Imagine um belíssimo museu todo cercado de ouro, pedras preciosas e com suas portas trancadas. Além de ser presa fácil de bandidos, perde a sua função de fornecer um bem para a humanidade, não dando acesso às obras de arte que guarda. As portas trancadas não revelam o tesouro aos outros e tudo será perdido! Essa analogia leva à seguinte reflexão: meu corpo exposto fecha as portas para o valor de dentro.

Por outro lado, se as portas estiverem abertas para que qualquer um entre e pegue o quanto quiser, o museu, em pouco tempo, se tornará um lugar vazio e sem valor. Só nós temos a chave!

Assim, devo ter consciência que uma postura modesta abre o caminho para o que realmente interessa. Restringindo a quantidade de curvas que irei deixar à mostra com minha vestimenta, abro as portas para que as riquezas da alma se manifestem e guiem pelos caminhos corretos as curiosidades de fora.

 

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Lembram meninas? Esconde-esconde era uma das brincadeiras mais divertidas da infância! Enquanto alguém contava até 50 (sendo que, depois do 30, contava-se t-1, t-2, t-3…), íamos rápida e silenciosamente nos esconder nos lugares mais secretos e improváveis. No esquema de “cada um por si”, as crianças eram criativas e inovadoras nessa arte de esconder-se. Terminada a contagem, o esperado “CINQUENTA! LÁ VOU EU!” indicava o início de um momento que misturava espera e esperteza. Era preciso espiar o mais discretamente possível para ver se o “pegador” estava se aproximando; todo o silêncio era pouco e a ansiedade dava a sensação de que algo estava por acontecer. Era desafiador!

Uma das regras primordiais consistia em saber o momento certo de se revelar. Eu poderia ser visto, caso não espiasse discretamente ou se fizesse algum barulho; se saísse do meu lugar antes do tempo, o “pegador” poderia chegar ao “piques” antes de mim. Um misto de expectativa, ansiedade e uma saudável convivência preenchiam os espaços do tempo livre que tínhamos.

O que a aurora da nossa vida pode nos ensinar sobre modéstia e relacionamentos amorosos? Vamos lá! Sendo você a garota que está escondida e ele o rapaz que está à sua procura, coloque-se na pele do “pegador” (trocadilho infeliz, esse!) dessa brincadeira. A função dele é buscar os meios de te encontrar, sabendo ele previamente que você está escondida. Ou seja: no caso de você se revelar logo no início, o jogo acaba. É praticamente um w.o… ele não precisou fazer nada. Supondo então, que tudo está dentro da normalidade, ele passa a te buscar nos lugares onde possivelmente você estará e, enquanto te busca, vai descobrindo coisas a seu respeito.

O rapaz se dirige até um lugar escuro, isolado e descobre que você não está lá; é evidente que a prudência é um traço dessa moça. Hum… bom! Mais adiante, tenta ver se estás escondida atrás do carro. Não! Muito óbvio. Essa menina é inteligente. Dá uma olhada ao redor pra ver alguma pista sua e nada. Nem uma espiadinha, nenhum barulho que indique sua localização. O coração do cara acelera enquanto busca te encontrar, imaginando o que você pensa, sente, quais são suas ideias e o que o está levando a te buscar com tamanha alegria.

Mais pistas suas estão sendo reveladas aos poucos. Além de esperta e prudente, essa garota é criativa para se esconder em um lugar que ainda não imaginei; ela possui autodomínio, pois não deixa escapar nenhum som de passos ou uma respiração mais profunda… é segura essa mulher, que não apressa o tempo e permanece onde deve estar para que eu vá ao seu encontro.

As coisas estão clareando, certo? Mas isso não é um jogo ou uma dica de como conquistar aquele gatinho. Não! Estamos falando das características humanas e de como as coisas funcionam entre homem e mulher.

Temos uma natureza que nos compõe e diferencia, e isso diz muito sobre o sentido da nossa vida, o que somos e o que revelamos. Trazendo para o concreto: a natureza masculina pede por desafios e situações que testem suas potencialidades, suas capacidades de superação. Já o feminino, traz na beleza as portas para o significado das coisas, a mulher carrega em si a marca do profundo, da vida, do eterno. Tanto homem como mulher carregam em si o masculino e o feminino, o anima e o animus (Jung), em quantidades proporcionais ao seu sexo.

Assim, a mulher que tem uma necessidade de se expor além dos limites da modéstia, coloca a si mesmo em uma situação de risco e pouco confortável, minando no homem a possibilidade de descobrir quem realmente ela é. Com uma tendência mais voltada para o externo, para a forma e providencialmente com um senso de atração para o corpo feminino, o homem pode se perder nos seus contornos sem ter o incentivo por procurar seu interior.

Quais os caminhos? Sem dúvida um bom autoconhecimento e cura interior te ajudarão a não vestir-se de modo a buscar de qualquer maneira os olhares dos outros. Não precisamos ser desejadas e aprovadas pelo nosso belo corpo… ele deve ser sinal! Deve conduzir para os jardins que tenho cultivado entre risos e lágrimas, com perdas e vitórias; minhas flores e pedras não são território baldio, sem dono. Não é qualquer um que entra e pisa nas plantas ou arruma as pedras da trilha.

Escondida estou, mas não esquecida. Escondida para ser buscada e encontrada por quem merecer adentrar o território sagrado que construí ao longo dos meus anos. Mais: estou guardada em um local onde o acesso não é simples, como numa brincadeira de esconde-esconde. Mas há uma garantia: sei do meu valor e sei que vale a pena! O tesouro aqui de dentro é maior que eu.

 

O coração de uma mulher deve ser tão próximo de Deus que um homem precisa
persegui-Lo para encontrá-la.
” ― C. S. Lewis.

 

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